Estudo Bibliográfico sobre a Temática Religião em Antropologia e Sociologia
Ao longo dos tempos a temática Religião vem sendo amplamente discutida dentro das Ciências Sociais em especial pela antropologia e pela Sociologia cujo enfoque é dado para formação da identidade e das diversas práticas coletivas que permeiam as mais diversas sociedades, desde as ditas “sociedades primitivas”, até as mais modernas.
A religião em muitos trabalhos é abordada como um sistema simbólico desde a fundação das Ciências Sociais e das disciplinas a partir do século XIX, e que nos dias atuais continuam a sendo motivos de estudos que se ampliam quanto mais se busca levar a sociedade para um modelo homogêneo de Cultura, a religião deve ser encarada como um produto da cultura humana e a função social, como postula Max Weber em seu famoso livro: “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” . Em que se tem uma correlação de sistemas simbólicos, tais como a religião e a econômica para o desenvolvimento de uma determinada sociedade, e neste caso Weber está analisando o desenvolvimento do sistema capitalista em que o fator religioso aparece como fundante para tal.
Como coloca Weber, ao afirma que a religião protestante exerce bastante influência para o desenvolvimento do capitalismo em países como a Alemanha Oriental e Polônia.
É bem verdade que a maior participação relativa dos protestantes na propriedade do capital, na direção e nas esferas mais altas das modernas empresas comerciais e industriais pode em parte ser explicada pelas circunstâncias históricas oriundas de um passado distante, nas quais a filiação religiosa não poderia ser apontada como causa da condição econômica, mas até certo ponto parece ser resultado desta.
Assim percebe-se o quanto o poder religioso se coloca diante da sociedade afim de, reger o caminho ao qual se deve seguir e é através do protestantismo que se tem um avanço da economia, baseados na reforma feita por Lutero, em que os afazeres e autoridades seriam encarados como um valor ético assumido pelo indivíduo, assim aturidades pensariam a ser tidas como vocação e passando também a ter um caráter religioso.
Três dos cincos capítulos contidos no livro, Max Weber deixa claro o papel da religião sobre o desenvolvimento político e econômico de alguns países europeus nos séculos XVII e XVIII, principalmente as religiões tidas como protestantes, tais como as que o próprio autor coloca no capítulo IV do livro, intitulado de: “Fundamento religioso do ascetismo laico”. Como o Calvinismo, o pietismo, o metodismo e as seitas bastistas.
Já de acordo com Karl Marx partindo da sua tese de materialismo dialético, em que única realidade possível, negando a existência de Deus, de outras vidas e da alma, a religião nada mais é a pura produção ideológica fruto de uma ilusão da Consciência humana.
A produção das idéias, das representações e da consciência está, a princípio direta e intimamente ligada à aturidade material e ao comércio material dos homens; ela é a linguagem da vida real. [...] o mesmo acontece com a produção intelectual tal como se apresenta na linguagem da política, na das leis, da moral, da religião, da metafísica etc. de todo um povo. São os homens que produzem suas representações, suas idéias etc. [...]
Como se vê Marx postula que o campo religioso é produzido tendo em vista a autoridade material em conformidade com o desenvolvimento das relações sociais e produtivas.
Assim, a moral, a religião, a metafísica e todo o restante da ideologia, bem como as formas de consciência a elas correspondentes, perdem logo toda a aparência de autonomia. Não têm história, não têm desenvolvimento; ao contrário, são os homens que, desenvolvendo sua produção material e suas relações materiais transformam com a realidade que lhes são próprias, seu pensamento e também os produtos do seu pensamento. Não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência.
Segundo Marx a história da humanidade tem como mola propussora o processo de produção, através da sociedade civil organizada enquanto constituinte do Estado em sua ação, e também como agente criador de consciência religiosa, filosófica e moral.
Marx afirma que para aniquilar o sentimento de que a força motriz da história é o sentimento religioso para os alemães de uma transformação da realidade existente, através do víeis comunista, pois segundo o autor só através do verdadeiro comunista é que se derrubaria essa ordem existente.
Já para antropólogos como Claude Lévi-Strauss o aspecto religioso tem funções culturais e que manifesta-se no cotidiano de grupos através de ritos, cerimônias normas, modelos e hierarquização.
A religião é bastante permanente na obra de Lévi-Strauss, em sua obra “Antropologia Estrutural” coloca no capítulo IX intitulados “O Feiticeiro e Sua Magia”, o autor enfatiza a importância de rituais mágicos para certas comunidades indígenas e a importância dos feiticeiros para as comunidades como forma de pertencimento e ligação espiritual com seus antepassados.
Não há, pois, razão de duvidar da eficácia de certas práticas mágicas. Mas, vê-se, ao mesmo tempo, que a eficácia da magia implica na crença da magia, e que esta se apresenta sob três aspectos complementares: existe, inicialmente, a crença do doente que ele cura, ou da vítima que ele persegue, no poder do próprio feiticeiro: finalmente, a confiança e a exigências da opinião coletiva, que formam à cada instante uma espécie de campo de gravitação no seio do qual se definem e se situam as relações entre o feiticeiro e aqueles que ele enfeitiça.
No exposto acima percebe-se claramente a importância de aspectos de feitiçaria em certas comunidades, é uma troca tanto quanto essencial para o andamento, o desenvolvimento e estruturação da sociedade, em que os elementos xamá são ao mesmo tempo íntimo e particular, para o xamá e também faz parte do corpo coletivo, pois só assim se pode verificar uma certa eficácia da magia. Como coloca o autor:
Esses três elementos daquilo que se poderia denominar de complexo xamanístico são indissociáveis. Ma vê-se que eles se organizam em torno de dois pólos, formados um pela experiência íntima do xamá, o outro pelo consensus coletivo.
Enfim o que Claude Lévi-Strauss está propondo mostrar no texto analisado é trazer para a esfera estrutural toda uma organização ritualista cuja interpretação se dá por vias de que os xamãs têm entre suas características de ser considerado até mesmo um psicanalista.
Outro autor da antropologia clássica que também toma em seus escritos o fator religioso como uma expressão cultural fortemente vivenciada em várias sociedades é Marcel Mauss que segundo Roberto Cardoso de Oliveira
Além da questão metodológica que a obra de Mauss propõe e que em “A prece” vimos tão bem formuladas seus ensaios revelam um esforço notável de construção de teorias parciais da sociedade.
Em sua obra intitulada: “Sociologia e Antropologia”, Mauss coloca que os processos por ele analisados, como o processo de trocas e sociedades ditas “primitivas” são mais do que um simples processo de troca mercantil, é sim uma troca simbólica.
O mais importante, entre esses mecanismos espirituais, é evidentemente o que obriga a retribuir o presente recebido. Ora, em parte alguma a razão moral e religiosa dessa obrigação é mais aparente do que na Polinésia.
Para Mauss tal processo de troca é em suma também um processo religioso se fzendo presente em rituais como o casamento, funeral, nascimento de filho, etc.
Os objetos ofertados em tais trocas também recebem uma conotação religiosa como o autor postula quando verifica a presença do Tonga que nada mais é do que o objeto que pode ser trocado. “São exclusivamente os tesouros, os talismãs, os brasões, as esterias e os ídolos sagrados, às vezes também as tradições, cultos e rituais mágicos”.
Segundo Mauss os taongas são então antes de mais nada um elemento espiritual mágico e sagrado ligados a cada indivíduo, ao clã e a terra.
Mas, para bem compreender o jurista maori, basta dizer: “Os taonga e todas as propriedades rigorosamente ditas pessoais têm um hau, um poder espiritual.
O que torna particulamente diferente o sistema de troca entre os povos “primitivos” é que o fator religioso atribuído a tudo o que é trocado eleva o grau e a singularidade não encontrado nas trocas feitos pelas sociedades modernas. Assim para Mauss o poder da troca não se faz mediante o valor atribuído aos objetos mais sim uma questão de honra e do poder de retribuir o que ganhou, pois evolve muito mais do que uma simples simetria de reciprocidade.
As relações desses contratos e trocas entre homens e desses contratos e trocas entre homens e deuses, esclarecem todo um aspecto da teoria do Sacrifício. [...] Sendo assim, essas trocas e esses contratos arrastam em seu turbilhão não apenas homens e casas, mas os seres sagrados que estão mais de menos associados a eles.
Embora os escritos sobre religião como uma categoria de análise recorrente da sociologia e antropologia estejam e voga desde os seus clássicos como se pôde ver acima, muito hoje se têm pesquisado sobre tal tema e principalmente no Brasil, tendo como foco principal o fator religioso como demarcador cultural e identitário nos diversos setores da sociedade.
Assim vários autores contemporâneos têm pesquisado sobre a importância da religião no cenário atual e o surgimento de novas correntes religiosas e suas funções, a mistura e o sincretismo que no país se torna uma marca bastante peculiar a cultura brasileira.
Neste trabalho se fez a opção de catalogar artigos e obras que refletem a especificidade do caso brasileiro frente aos novos processos significativos da religiosidade do povo brasileiro. Foram encontrados artigos na “Revista Sociologia: Ciência e Vida” . Na revista há artigos que remete desde a religião Católica, passando pelo Espiritismo, Cerimonial, indígena, Umbandista e uma nova abordagem que discute o que deve ser ensinado à temática religiosa nas escolas.
O autor Eduardo Gabriel, faz uma abordagem voltada para a reorganização da Igreja Católica frente a perda de fieis para outros segmentos religiosos, o autor coloca que essas nova organização se dá através da “Renovação Carismática Católica”, que incorpora as missas e festejos da Igreja Católica. Através do Censo de 2000 o autor faz uma comparação entre a população que afirma se católico é de 73,8% havendo uma queda em relação ao ano de 1991 que era de 83,3%.
É pois, dentro desse contexto religioso, em que a perda da hegemonia da Igreja Católica é o traço mais significativo que a Renovação Carismática Católica (RCC), hoje o principal movimento católico tenta ser um flanco de contentação dessa paulatina evasão.
Já para Emerson Griumbelli , outro sileiro está presente no Espiritismo, tal religião represente 1% da população segundo o Censo do IBGE de 2000, o que é suficiente para colocar o Brasil como o primeiro lugar. Os adeptos segundo o autor são em sua maioria mais escolarização e possui uma renda elevada e que se concentrada mais na zona urbana. “Trata-se de uma religião letrada, em que o livro e o cultivo intelectual são muito prezados”.
Segundo o autor há ainda dois aspectos que precisam ser levados em consideração e, relação ao Espiritismo no Brasil: o fato da aceitação quanto a noção de “reencarnação” principalmente entre os católicos, outro aspecto é que os Espíritos também podem pertencer a outras correntes religiosas tais como a Umbandista.
Para os Espíritos segundo o autor o princípio da caridade rege os fundamentos da doutrina em que a caridade é o principal promotor da evolução, neste sentido os adeptos estão a todo momento promovendo a caridade para caminhar no sentido de uma maior elevação do espírito.
Os demais artigos encontrados na revista vão ser colocados como anexos, afim de que possa servir como meio de consulta para trabalhos posteriores.
Referencias Bibliográficas
GABRIEL,Eduardo. Necessidade do Sagrado . In: Sociologia: Ciência e Vida, ano II número 19, São Paulo,2008. Escala. p.46-53
GIUMBELLI,Emerson. Evolução em Estagios. In: Sociologia: Ciência e Vida; ano II, número 19, São Paulo, 2008. Escala. p.54-61
LÉVI-STRAUSS, Claude. Antropologia Estrutural; tradução Chain Samuel Kartz e Eginaldo Peires. — Rio de Janeiro: Tempo brasileiro,1975
MARX,KARL e FRIEDRICH Engels. A Ideologia Alemã; tradução Luis Claudio de Castro e Costa.— São Paulo: Martins Fontes,1998.
MAUSS,Marcel. Sociologia e Antropologia; Tradução de Paulo Neves.— São Paulo: Costa & Naify,2003.
WEBER,Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo; São Paulo:Martin Claret, 2006.
Blog criado para ser mais um mecanisno de debates a cerca dos temas tratados pelas ciências sociais tanto na área de política, antropologia e sociologia. Como também colocar incertezas e tantas outras coisas que constituem o universo social e reflexões do meu dia .
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
“A Indústria Cultural: O Iluminismo como Mistificação de Massas.”
(Max Horkheimer e Theodor W. Adorno)
O mundo hoje vive em constante transformação cultural, social e econômica, propiciados pelos avanços tecnológicos difundidos e propagados pela globalização. Neste processo de mundialização em que as mais distantes culturas entram em contanto de forma direta e indireta através dos produtos midiáticos e suas avançadas tecnologias acarretando o choque de idéias, de ideologias, e que na verdade estão permitindo cada vez mais se toma conhecimento sobre as diversas manifestações culturais espalhadas pelo mundo.
Os processos de mundialização das culturas são processos que vem sendo de interesse também da indústria, a indústria que possibilita a propagação ainda mais rápida dos bens culturais, difundindo e permitindo uma semelhança entre as culturas. “Cada setor se harmoniza em si e todos entre si. As manifestações estéticas, mesmo a dos antagonistas políticos, celebraram da mesma forma o elogio do ritmo do aço.”
É verificando este aspecto do novo sistema de consumo cultural que Horkheimer e Adorno postula um novo conceito para o termo “Industria Cultural”, como coloca Barbosa : “Juntamente com Horkheimer, Adorno elaborou o conceito de “indústria cultural”, identificando a exploração comercial e a vulgarização da cultura, como também a ideologia da dominação da natureza pela técnica (que tem como conseqüência a dominação do próprio homem).” E assim ela continua a explanar o que seria para os autores essa industria cultural.
A expressão indústria cultural não é sinônimo de meios de comunicação. Tal expressão não se refere às empresas produtoras e nem às técnicas de difusão dos bens culturais. Em essência, significa a transformação da mercadoria em cultura e da cultura em mercadoria, ocorrida em um movimento histórico-universal, que gerou o desenvolvimento do capital monopolista, dos princípios de administração e das novas tecnologias de reprodução (sobretudo, a fotografia e o cinema). Em linhas gerais, a indústria cultural representa a expansão das relações mercantis a todas as instâncias da vida humana.
Para os autores, quanto mais se tem a capacidade de produzir e reproduzir os bens culturais há uma necessidade ainda maior dos produtores em fazer destes bens, uma industria forte e prospera que consegue manipular e restringir a capacidade individual, quanto mais se prega o poder de liberdade conferido pela aquisição dos bens. Faz um jogo duplo em que torna o material cultural especializado, em mais um produto para o consumo das massas e ao mesmo tempo em que faz dessas massas portadoras de codificações aptas a consumirem tais mercadorias, deslocando de sentido o papel singular da cultura, e o transformando em mais um produto que ao ser usado é rapidamente descartado e substituído por outros mais avançados.
A violência da sociedade industrial opera nos homens de uma vez por todas. Os produtos da indústria cultural podem estar certos de serem jovialmente consumidos, mesmo em estado de distração. Mas cada um destes é um modelo do gigantesco mecanismo econômico que desde o início mantém tudo sob pressão tanto no trabalho quanto no lazer que lhe é semelhante.
A Industria Cultural toma para si a modernização dos meios de comunicação de massa, tais como a TV, rádio,cinema, transformando o homem em sujeito de dominação, ao colocá-lo no centro das ações de produção e consumo. O que os autores estão colocando é que embora haja um avanço tecnológico e uma maior democratização dos meios de comunicação, há ao mesmo tempo uma alienação dos indivíduos afastando de si toda e qualquer possibilidade de esclarecimento e explicação do mundo real, a realidade é desconfigurada em face de uma incorporação do mundo imaginário ao poder do indivíduo. “A indústria cultural continuamente priva seus consumidores do que continuamente lhes promete.”
Para os autores, o poder atribuído a indústria cultural é contestado não pelo fato de usá-lo para controlar os meios de distração, mais sim por continuar a carregar junto de si os clichês ideológicos da cultura, quando na verdade deveria aniquilar tais imposições. “Quanto mais sólidas se tornam as posições da indústria cultural, tanto mais brutalmente esta pode agir sobre as necessidades dos consumidores, produzi-las, guiá-las e discipliná-las, retirar-lhes até o divertimento.” Neste sentido os processos de mecanização da cultura torna os homens reprimidos e privados do sentido de liberdade tão prometida pela renovação industrial, em que a industria fonográfica e cinematográfica ,principalmente estão no monopólio da produção produzindo arte carregada com um sentindo ideológico distanciando destas o poder contestador e critico vistos em outra época.
Os meios de comunicação de massa (veículos da indústria cultural) nos prometem, através da publicidade e da propaganda, colocar a felicidade imediatamente em nossas mãos, por meio da compra de alguma mercadoria: seja ela um CD, um calçado, uma roupa, um comportamento, um carro, uma bebida, um estilo etc. A mídia nos promete e nos oferece essa felicidade em instantes. O público, infantilizado, procura avidamente satisfazer seus desejos. Uma vez que nos tornamos passivos, acríticos, deixamos de distinguir a ficção da realidade, nos infantilizamos e, por isso, nos julgamos incapazes, incompetentes para decidirmos sobre nossas próprias vidas etc. Uma vez que não nos julgamos preparados para pensar, e desejamos ouvir dos especialistas da mídia o que devemos fazer, sentimo-nos intimidados e aceitamos todos os produtos (em formas de publicidade e propaganda) que a mídia nos impõe.
Neste processo de produção o que esta sempre em voga é a produção da igualdade, do sempre igual, excluindo tudo que venha a ser taxado como o novo. O ponto culminante neste aspecto é afastado tudo que ainda não foi testado pela industria,e quando há interesse neste produto é tomado como um produto já existente.
A industria cultural tem a tendência de se converter em um conjunto de protocolos, e, por isso essa mesma razão, de se tornar o irrefutável profeta do existente.[...] A ideologia cinde-se entre a fotografia da realidade bruta e pura mentira do seu significado, que não é formulada explicitamente, mas sugerida e inculcada.Pela demonstração de sua divindade o real é sempre e apenas cinicamente repetido. Essa prova fotológica não é precisa, mas é esmagadora.
Referências Bibliográficas
HORKHEIMER, Max e Theodor W. Adorno. Teoria da Cultura de Massa; In “Dialética do Esclarecimento — São Paulo,2000.
http://www.urutagua.uem.br//005/14soc_barbosa.htm
(Max Horkheimer e Theodor W. Adorno)
O mundo hoje vive em constante transformação cultural, social e econômica, propiciados pelos avanços tecnológicos difundidos e propagados pela globalização. Neste processo de mundialização em que as mais distantes culturas entram em contanto de forma direta e indireta através dos produtos midiáticos e suas avançadas tecnologias acarretando o choque de idéias, de ideologias, e que na verdade estão permitindo cada vez mais se toma conhecimento sobre as diversas manifestações culturais espalhadas pelo mundo.
Os processos de mundialização das culturas são processos que vem sendo de interesse também da indústria, a indústria que possibilita a propagação ainda mais rápida dos bens culturais, difundindo e permitindo uma semelhança entre as culturas. “Cada setor se harmoniza em si e todos entre si. As manifestações estéticas, mesmo a dos antagonistas políticos, celebraram da mesma forma o elogio do ritmo do aço.”
É verificando este aspecto do novo sistema de consumo cultural que Horkheimer e Adorno postula um novo conceito para o termo “Industria Cultural”, como coloca Barbosa : “Juntamente com Horkheimer, Adorno elaborou o conceito de “indústria cultural”, identificando a exploração comercial e a vulgarização da cultura, como também a ideologia da dominação da natureza pela técnica (que tem como conseqüência a dominação do próprio homem).” E assim ela continua a explanar o que seria para os autores essa industria cultural.
A expressão indústria cultural não é sinônimo de meios de comunicação. Tal expressão não se refere às empresas produtoras e nem às técnicas de difusão dos bens culturais. Em essência, significa a transformação da mercadoria em cultura e da cultura em mercadoria, ocorrida em um movimento histórico-universal, que gerou o desenvolvimento do capital monopolista, dos princípios de administração e das novas tecnologias de reprodução (sobretudo, a fotografia e o cinema). Em linhas gerais, a indústria cultural representa a expansão das relações mercantis a todas as instâncias da vida humana.
Para os autores, quanto mais se tem a capacidade de produzir e reproduzir os bens culturais há uma necessidade ainda maior dos produtores em fazer destes bens, uma industria forte e prospera que consegue manipular e restringir a capacidade individual, quanto mais se prega o poder de liberdade conferido pela aquisição dos bens. Faz um jogo duplo em que torna o material cultural especializado, em mais um produto para o consumo das massas e ao mesmo tempo em que faz dessas massas portadoras de codificações aptas a consumirem tais mercadorias, deslocando de sentido o papel singular da cultura, e o transformando em mais um produto que ao ser usado é rapidamente descartado e substituído por outros mais avançados.
A violência da sociedade industrial opera nos homens de uma vez por todas. Os produtos da indústria cultural podem estar certos de serem jovialmente consumidos, mesmo em estado de distração. Mas cada um destes é um modelo do gigantesco mecanismo econômico que desde o início mantém tudo sob pressão tanto no trabalho quanto no lazer que lhe é semelhante.
A Industria Cultural toma para si a modernização dos meios de comunicação de massa, tais como a TV, rádio,cinema, transformando o homem em sujeito de dominação, ao colocá-lo no centro das ações de produção e consumo. O que os autores estão colocando é que embora haja um avanço tecnológico e uma maior democratização dos meios de comunicação, há ao mesmo tempo uma alienação dos indivíduos afastando de si toda e qualquer possibilidade de esclarecimento e explicação do mundo real, a realidade é desconfigurada em face de uma incorporação do mundo imaginário ao poder do indivíduo. “A indústria cultural continuamente priva seus consumidores do que continuamente lhes promete.”
Para os autores, o poder atribuído a indústria cultural é contestado não pelo fato de usá-lo para controlar os meios de distração, mais sim por continuar a carregar junto de si os clichês ideológicos da cultura, quando na verdade deveria aniquilar tais imposições. “Quanto mais sólidas se tornam as posições da indústria cultural, tanto mais brutalmente esta pode agir sobre as necessidades dos consumidores, produzi-las, guiá-las e discipliná-las, retirar-lhes até o divertimento.” Neste sentido os processos de mecanização da cultura torna os homens reprimidos e privados do sentido de liberdade tão prometida pela renovação industrial, em que a industria fonográfica e cinematográfica ,principalmente estão no monopólio da produção produzindo arte carregada com um sentindo ideológico distanciando destas o poder contestador e critico vistos em outra época.
Os meios de comunicação de massa (veículos da indústria cultural) nos prometem, através da publicidade e da propaganda, colocar a felicidade imediatamente em nossas mãos, por meio da compra de alguma mercadoria: seja ela um CD, um calçado, uma roupa, um comportamento, um carro, uma bebida, um estilo etc. A mídia nos promete e nos oferece essa felicidade em instantes. O público, infantilizado, procura avidamente satisfazer seus desejos. Uma vez que nos tornamos passivos, acríticos, deixamos de distinguir a ficção da realidade, nos infantilizamos e, por isso, nos julgamos incapazes, incompetentes para decidirmos sobre nossas próprias vidas etc. Uma vez que não nos julgamos preparados para pensar, e desejamos ouvir dos especialistas da mídia o que devemos fazer, sentimo-nos intimidados e aceitamos todos os produtos (em formas de publicidade e propaganda) que a mídia nos impõe.
Neste processo de produção o que esta sempre em voga é a produção da igualdade, do sempre igual, excluindo tudo que venha a ser taxado como o novo. O ponto culminante neste aspecto é afastado tudo que ainda não foi testado pela industria,e quando há interesse neste produto é tomado como um produto já existente.
A industria cultural tem a tendência de se converter em um conjunto de protocolos, e, por isso essa mesma razão, de se tornar o irrefutável profeta do existente.[...] A ideologia cinde-se entre a fotografia da realidade bruta e pura mentira do seu significado, que não é formulada explicitamente, mas sugerida e inculcada.Pela demonstração de sua divindade o real é sempre e apenas cinicamente repetido. Essa prova fotológica não é precisa, mas é esmagadora.
Referências Bibliográficas
HORKHEIMER, Max e Theodor W. Adorno. Teoria da Cultura de Massa; In “Dialética do Esclarecimento — São Paulo,2000.
http://www.urutagua.uem.br//005/14soc_barbosa.htm
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