As religiões Afro-brasileiras: uma breve analise
A influência da cultura africana no Brasil esta posta no país de maneira bem característica na formação do povo brasileiro, sejam nas comidas, esportes, danças, artes e também através religião, talvez a presença mais marcante na sociedade, as religiões afro-brasileiras, as quais se destacam o candomblé que em todo o território recebe varias denominações, como Catimbó no Piauí, Xangô ou Changô em Alagoas e Sergipe.
Inseridas no contexto brasileiro na época da escravidão os povos vindos de todas as partes do continente africano juntamente com todo o conteúdo cultural passam a receber influência da cultura européia ocasionando e fazendo nascer religiões tipicamente brasileiras se utilizando tanto de elementos africanos como também de elementos da religião católica portuguesa. As religiões afro-brasileiras se expandiram e prosperaram desde o fim da escravatura em 1888 e agora se constituem como as mais freqüentadas e com milhares de adeptos em todo o país.
Esse patrimônio ganha extraordinária dimensão e significado especial porque não é apenas um complexo sistema de crenças estruturado para servir unicamente às necessidades religiosas.
Para melhor compreender o fascinante mundo das religiões afro-brasileiras e suas especificidades, se faz necessário fazer uma analise separadamente entre as duas religiões que o trabalho aborda.
Primeiramente a Umbanda, que se constitui como um fenômeno fundamentalmente urbano, mais que tem como base a reorganização das antigas tradições africanas, principalmente dos cultos aos deuses africanos. No contexto brasileiro umbanda recebe influencia de outras religiões que aqui se fazem presentes como a religião Kardecista, ou o espiritismo, do catolicismo e dos caboclos indígenas.
As crenças africanas mais puras que integravam a receita do sincretismo umbandista vão se desagregando a cada dia que passa em razão do predomínio do elemento branco, embora haja reações isoladas em contrario.
Com a influência de elementos brancos na religião Umbandista, ela não permanece estática, aceitando adeptos de todas as etnias e crenças. No Brasil é quase impossível detectar o número de adeptos e freqüentadores dessa religião. “O mundo da umbanda é povoado de espíritos e entidades espirituais que regulam a vida quotidiana e permitem que o fiel se relacione facilmente como o universo das realidades sagradas.”
Assim sendo a Umbanda tem por base a interferência espiritual sobre o cotidiano. O ritual não é o mesmo em todo o país, mudando assim de região para região.
As divindades da umbanda compreendem sete linhas, divididas em legiões e falanges. As linhas são as seguintes: de Oxalá, de Iemanjá, de Oxosse, do Oriente, de Xangô ( ou Changô, terminologia que seria a mais correta), de Ogum e Africana.
O panteão umbandista esta dividido em três categorias de entidades: Os Exus e Orixás, Caboclos que são espíritos de índios e os pretos-velhos que corresponde aos espíritos dos africanos. Essas entidades são marcadas pela pureza e pela necessidade de pratica ao bem. “Quanto a hierarquia litúrgica da umbanda, temos inicialmente o babalorixá ou babalaô (babalawo em Cuba e na República Domonicana) e a ialorixá ou babá.” Mais abaixo na hierarquia esta situado os ogãs que tem a função de entoar os pontos cantados,ou ao cantos e também dirigem os trabalhos de incorporação dos médiuns, em seguida estão os filhos e filhas-de-santo que são responsáveis por protegerem os médiuns enquanto estes estão responsáveis na realização das danças, e por ultimo e não menos importante nessa hierarquia estão os cavalos-de-santo, que são os médiuns quando incorporados por Exu.
Já o candomblé, outra religião de matriz africana muito presente na diversidade cultural brasileira, é marcada pelo culto as divindades da natureza, tais como o fogo, a água, terra e matas. Assim como a umbanda, também o candomblé recebe influência de outras religiões presentes no Brasil.
Candomblé é na essência, uma comunidade detentora de uma diversificada herança cultural, onde mesclam elementos provenientes, sobretudo da África Ocidental, e no Brasil, por força das relações de contato a que estavam permanentemente submetidos, integraram-se outros tantos componentes religiosos de proveniência igualmente variada.
Com o exposto acima o candomblé vê no espaço do terreiro, um local onde se mantiveram vivas e ainda hoje se mantêm os sistemas culturais herdados, em que todos os membros encontram-se unidos na mesma fé, protegidos pelos Orixás. O candomblé proporciona aos seus membros e adeptos uma participação em comunidade que de condições de viver de modo diferenciado dos padrões sociais vigentes em sociedade global.
Outro aspecto do candomblé é o trabalho de cunho social que são desenvolvidos como trabalho de base dentro das comunidades, despertando nos seus membros uma participação mais ativa nos debates públicos que visem o aprimoramento das políticas públicas no âmbito de melhorias de vida da população e minorias étnicas.
Talvez o principal elemento encontrado em um terreiro de candomblé está o culto aos vários deuses diferenciados em cada nação seja ela, ketu, Bantu, jeje entre outras. O candomblé cultua mais de cinqüenta das centenas divindades que são cultuadas na África. Os que mais se destacam em termo de culto e oferendas que são ofertadas estão, Oxalá que é o Deus maior e é relacionado ao Senhor do Bomfim e Cristo e os demais orixás que são: Xangô,Oxosse, Xapanã, Oxum, Ogum, Oxalá, Iemanjá, Iansã, Oxumaré e Ifã. Cada um recebendo atribuições e poderes das forças da natureza. Além de Exu que não é um orixá, mais que necessita ser cultuado sempre com o objetivo de não ser um impedimento na realização das festas em louvor aos outros orixás.
Neste trabalho não se faz necessário um aprofundamento maior sobre os Orixás e como são praticados os cultos, o que se pretende aqui é uma analise sobre o papel das identidades coletivas, que será investigado no capitulo seguinte.
As imagens que se seguem foram tiradas do Terreiro da Mãe Terezinha de Bamba e mostra bem tanto a influência de elementos católicos e a mistura entre a Umbanda e o Candomblé em um mesmo terreiro.