sábado, 26 de setembro de 2009

Identidades coletivas no Contexto Religioso Afro-brasileiro

No inicio dos anos de 1980, a população brasileira vem vivenciando a construção e a implementação da Democracia como forma de governo. Este modelo político trouxe consigo a esperança de mais participação política da sociedade e também o reconhecimento de direitos fundamentais.
Mas as praticas e ações não correspondem às demandas, não são atendidas, deixando muita das vezes as ações por conta de grandes agentes estatais. No desenrolar do processo democrático fica claro a necessidade de reconhecer e aceitar a “pluralidade de grupos e identidades não homogeneizáveis, com agendas, características e demandas próprias, face as expressões dominantes do Estado, do Povo e da Nação.”
Os novos antagonismos sociais, muitos das vezes provocados pelas relações de opressão, preconceitos e exclusão apontam para uma crescente e relativa diversidade de atores sociais e coletivos, que redefinem fronteiras institucionais a partir de manter as bases para o seu reconhecimento e legitimidade, no entanto deve ser reconhecida de maneira tal que contemple as diferenças culturais de identidade coletivas, que articulam a integração social na busca de seus interesses.
As identidades definem fronteiras de um espaço em que se incluirão os interesses. Estes por sua vez, ropem fronteiras, ligando as pessoas como indivíduos que seguem suas estruturas de preferências e transgridem as obrigações e as normas coletivamente compartilhadas.

Antes de tudo é preciso compreender que por trás do processo de construção das identidades coletivas, há sempre a construção grupal das identidades, fundamental no sentido de dar conteúdo ao pertencimento do caráter político da diferença ao grupo social. O sentimento de pertencimento é necessário para o processo mobilizatório.
A essas praticas de reconhecimento de pertencimento grupal, no entanto, deve ser entendidas em decorrência de variadas mudanças ocorridas dentro do processo hierárquicos existentes na sociedade, principalmente em países ocidentais. Em que as identidades individuais dão lugar, sedem espaço para a configuração das identidades coletivas, onde o individuo não mais age por conta própria, mais sim se insere em um grupo social afim de que se possa obter reconhecimento e garantir direitos que lhe são fundamentais.
Cabe agora, tendo já discorrido sobre algumas características sobre o processo de formação de identidades coletivas, o próximo passo é discorre sobre tais identidades enfocando o contexto cultural inseridos no contexto das religiões afro-brasileiras.
No desenrolar de seu processo a globalização vem aniquilando as expressões culturais regionais e nacionais em nome de uma homogeneização da aldeia global, provocando com isso a partir da destruição de identidades culturais coletivas, em escalas expressivas de manifestações contribuindo assim para a multiplicação de patologias sociais como a violência em diferentes níveis.
Com o exposto acima, as religiões de matriz africana, em especial a Umbanda e o Candomblé, vem de um longo período sofrendo intolerância, perseguições. Com tais acontecimentos, as comunidades religiosas são forçadamente a se organizarem através de um corpo coletivo da população afro-descendente mostrando sua diversidade de composição.
Um dos processos que contribuem para a construção e talvez uma reconstrução da identidade cultural afro-brasileira é o candomblé e também a umbanda, que possuem particularidades etnico-raciais e culturais que seriam os conteúdos que passam a fornecer uma identidade social e cultural para o grupo.
O que permite o fortalecimento das identidades culturais afro-brasileiras são as construções dos movimentos urbanos que assentados sobre um determinado território, sendo um espaço de auto-reconhecimento e produzindo sua identidade, estimulando o pertencimento e solidariedade entre os indivíduos.

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