domingo, 22 de janeiro de 2012

"A Pobreza Política de Pão de Açúcar."

 Como todos nós sabemos, uma das principais contribuições da modernidade, é a democracia como um dos pilares para a organização da sociedade, onde se presume que deva ser entendida como modelo político baseado no governo de todos e para todos. Claro que em Pão de Açúcar não poderia ser diferente, temos e vivemos em uma democracia,  como todos aparados por direitos e deveres que devem ser respeitados. Vivemos em uma democracia representativa, que segundo o pensador italiano Noberto Bobbio: "a expressão 'democracia representativa' significa genericamente que as deliberações coletivas, isto é, as deliberações que dizem respeito à coletividade inteira, são tomadas não diretamente por aqueles que dela fazem parte, mas por pessoas eleitas para esta finalidade." (SELL, 2006; p. 84)
 O que se coloca com essa afirmativa feita por Bobbio, é que vivemos em uma sociedade regida pela representação política, uma representação que busque atender e representar os interesses coletivos e não somente os interesses privados. Com isto quero afirmar que estamos longe de um modelo de democracia participativa, que ao meu vê, seria a mais ideal para o bom funcionamento da sociedade, que garantiria a participação mais ativa e efetiva dos cidadãos na vida pública. Neste caso estaremos mais presentes nas tomadas de decisão e não apenas escolhendo quem fará  isso por nós. Algum de vocês devem está se perguntando: Más nós não temos os conselhos municipais ? Sim, é claro que temos, e eles fazem  parte desse modelo participativo de democracia, más quero alertar que eles são mecanismos criados de cima para baixo, ou seja eles nascem e são criados de dentro do poder governamental e se utilizam do corpo organizado da sociedade para sua implementação, e ai, ao meu vê não possuem uma maior autonomia frente aos governantes. É preciso que haja em nossa cidade OGNs, movimentos sociais, fóruns de debate e reuniões, como era costume existir na "Roma antiga", nas praças públicas, esses mecanismos sim poderiam mudar o cenário político em nossa cidade, através de uma sociedade civil forte e organizada.
Quando falo em pobreza política em Pão de Açúcar, não quero aqui fazer criticas exclusivas a políticos e suas bases aliadas, más antes chamar atenção para quatro elementos que ao meu vê contribuem para tal conjuntura. Em primeiro lugar verifico a falta de cultura política, ou apatia política existente no seio da nossa população, que sempre foi acostumada a esperar que as soluções dos problemas recorrentes partissem das instituições governamentais, quando na verdade temos que ter em mente que é um dever de todos zelar pela coisa pública, pelo bem comum. Outro ponto importante para entender essa pobreza política reside na alienação dos indivíduos através da velha política do pão e circo, que no mundo moderno, no atual momento histórico se reconfigura e adquire uma nova roupagem através da distribuição de shows e festas e a fartura sem nenhum pudor dos vários goles de cachaça por cada canto da cidade, assim muitas das vezes há a velha política da compra de voto, os bons e velhos favores e nisso nasce os sujos pactos políticos, que não são as melhores formas de nascer o ideal político e que infelizmente é uma pratica recorrente em nossa cidade.
O terceiro ponto que encontro como argumentação está centrado nas antigas praticas oligárquicas, que ressurge adquirindo novos contornos, e que eu vejo aqui na cidade não agora, mais de muito tempo, lembro quem em uma aula de política em 2006, eu abordava essa questão em sala de aula já, talvez prevendo o que estava por vim, a volta dos currais eleitorais, nesta cidade alguns políticos tomam para si uma certa localidade e faz de conta, ou acredita no que faz, que ali se encontram animais de fácil manipulação e que podem ser tratados como peças de um jogo de xadrez, só que muitas vezes eles não tem a habilidade de um bom campeão do esporte. Gente estamos no seculo XXI, vivemos em uma nova realidade, os indivíduos são livres, cada um tem o pleno poder de fazer suas escolhas e de ver e se sentir representado como acha que deve ser, e não é através do voto de cabresto, oprimindo e impondo um poder irreal, que se terá uma democracia plena.
A política oligárquica, ela se faz, quando uma minoria política se reversa no poder, afim de sempre estarem em situação de mando, mudando as vezes apenas os seus representantes legais, sem que outros grupos políticos façam parte do jogo politico  e tenham reais condições de exercerem cargos políticos, e não é isso que eu estou vendo que vai acontecer mais uma vez em Pão de Açúcar, nas eleições deste ano, no ano de 2012? Entram em cena mais uma vez as mesmas pessoas, que hora estão juntas, hora se separam, mais mantem a mesma visão idealista de política?
E é ai que reside a minha quarta argumentação para a pobreza política de Pão de Açúcar, a falta clara de homens e mulheres que sejam capazes de mudar essa constante em nosso município, pessoas que não sejam capazes de compreender que esse circulo vicioso seja ainda a melhor solução para o nosso município.
E sendo eu apenas mais um cidadão comum desta terra, creio que um dos recursos que podemos utilizar para tentar mudar, é exatamente mudando nossa forma de ver a política e de buscar o novo, pois quem vive de passado é museu e não pretendo viver um retrocesso histórico. 2012 está ai para isso.

Igor Luiz Rodrigues da Silva
Bacharel em Ciências Sociais
Formação especifica em Ciência Política e Antropologia.






Um comentário:

  1. Me orgulho de ver que ainda existe pessoas assim como voce nessa terra tão linda, que não se preocupa somete com a roupa que está vestindo ou com sua popularidade na cidade, mas sim com problemas de suma importância e que o povo paodeaçucarense está esquecendo. Sou de Pão de Açúcar, não precisamente da cidade, mas do interior, faço Ciências Sociais - UFAL e espero que um dia a gente consiga mudar esse quadro tão deprimente que vivenciamos. Parabéns.
    Annyara Quirino.

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